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Sigilo profissional e IA: o que pode e o que não pode subir para a nuvem

O sigilo continua sendo do advogado, não da ferramenta. O que perguntar antes de subir qualquer peça de cliente para um serviço de IA.

A pergunta que vem antes de qualquer teste de ferramenta

Antes de subir qualquer peça de cliente para um serviço de IA, a pergunta relevante não é se a ferramenta é boa, é o que acontece com aquele conteúdo depois de enviado. Sigilo profissional não se suspende porque a ferramenta é útil ou economiza tempo; ele é uma obrigação do advogado, e continua sendo mesmo quando o texto passa por terceiros.

Essa responsabilidade não se transfere para o fornecedor da ferramenta. Se algo vazar ou for usado de forma indevida, quem responde perante o cliente continua sendo o advogado que fez o envio.

As perguntas concretas a fazer a qualquer fornecedor

Existem quatro perguntas que resolvem a maior parte da avaliação de risco. O conteúdo enviado é usado para treinar ou ajustar modelos de IA. Quem, dentro da empresa fornecedora, tem acesso técnico ao conteúdo enviado, e sob qual justificativa. Há cifra em trânsito e em repouso para os dados armazenados. E por quanto tempo o conteúdo fica retido depois do processamento.

Uma resposta vaga ou genérica a qualquer uma dessas quatro é motivo suficiente para não subir dado sensível de cliente até que a resposta fique específica.

Por que 'usado para treinar modelo' é a pergunta mais importante

Se o conteúdo de uma peça é usado para treinar ou ajustar modelo, ele deixa de ser apenas processado e passa a influenciar, de forma difusa e permanente, o comportamento futuro do sistema para outros usuários. Isso é um risco de natureza diferente de um vazamento pontual: não tem como ser revertido depois.

É por isso que essa pergunta específica merece resposta por escrito, não verbal, e resposta que negue esse uso de forma clara, não uma formulação que deixe margem para interpretação.

O que fica de fora, mesmo com ferramenta confiável

Mesmo confirmando que uma ferramenta não usa dado para treinar modelo e mantém cifra adequada, vale manter fora do que é enviado qualquer informação que não seja estritamente necessária para a tarefa: dado de terceiro que não é parte no caso, informação financeira que não afeta a tese, detalhe pessoal do cliente sem relevância jurídica direta.

O princípio é minimizar o que sobe, independentemente de quão confiável pareça a ferramenta. Menos dado enviado é menos superfície de risco, mesmo quando o risco em si é baixo.

Como isso se conecta ao dever de informar o cliente

O provimento do Conselho Federal da OAB sobre uso de IA na advocacia exige informar o cliente sobre o uso da tecnologia. Parte natural dessa informação é justamente o que foi apurado sobre sigilo: se os dados são usados para treinar modelo, quem tem acesso, e que proteção existe.

Um advogado que já fez essa checagem tem resposta pronta e verdadeira quando o cliente perguntar, em vez de ter que improvisar uma resposta genérica no momento.

O que o Advogad garante nesse ponto específico

No Advogad, peças enviadas e entregáveis não são usados para treinar nem ajustar modelos, o acesso interno é restrito ao estritamente necessário para operar o serviço, e há sigilo e cifra em trânsito e em repouso. É a resposta concreta às quatro perguntas que qualquer fornecedor deveria responder antes de receber dado de cliente.

Perguntas frequentes

O sigilo profissional impede o uso de qualquer ferramenta de IA na revisão de peças?
Não impede o uso, exige avaliação prévia do que acontece com o conteúdo enviado. A responsabilidade pelo sigilo continua do advogado, independentemente da ferramenta usada, o que torna a checagem do fornecedor uma etapa obrigatória, não opcional.
Qual é a pergunta mais importante a fazer a um fornecedor de IA jurídica?
Se o conteúdo enviado é usado para treinar ou ajustar modelos. Esse uso, ao contrário de um vazamento pontual, influencia de forma permanente o comportamento futuro do sistema e não tem como ser revertido depois.
Mesmo com ferramenta confiável, existe algo que não deveria ser enviado?
Sim. Vale manter fora do envio qualquer informação que não seja estritamente necessária para a tarefa, como dado de terceiro sem relação com o caso ou detalhe pessoal do cliente sem relevância jurídica direta.
O Advogad usa peças de cliente para treinar modelo?
Não. Peças enviadas e entregáveis não são usados para treinar ou ajustar modelos, o acesso interno é restrito ao estritamente necessário, e há sigilo e cifra em trânsito e em repouso.

Conteúdo dirigido a advogados e advogadas com inscrição ativa na OAB. É material sobre o ofício, não orientação sobre caso concreto. A tese, a estratégia e a subscrição da peça continuam sendo de quem assina.